23 de mar de 2013

MORTARIUM: Muito trabalho e amor a música, entrevista com Julie Sousa

[ENTREVISTA] Por Geraldo Andrade


Que o metal brasileiro é um dos melhores do mundo, isso todo mundo já sabe. Que a cada dia surgem ótimas bandas no nosso país, também. E uma dessas bandas, é a carioca MORTARIUM. Fomos bater um papo com a baterista Julie Sousa, que nessa ultima semana foi destaque em uma revista nos EUA, isso mostra o talento dessa grande baterista. Ela contou sua história, falou da Mortarium e tantas outras coisas, Vale conferir!!

HEAVYNROLL- Julie, muito obrigado por atender o Heavynroll

JULIE- Eu é que agradeço. Obrigada, amigo! 

HEAVYNROLL - Quem é Julie Sousa? 

JULIE- Nossa! Difícil essa pergunta... Eu sou muitas pessoas em uma (risos)... Sou a esposa do Joab Farias, Historiadora pela UERJ, editora-chefe da Hi Hat Girls Magazine, baterista da Mortarium, mas acima de tudo isso, uma pessoa que acredita na pureza das coisas simples da vida, principalmente na amizade. 

HEAVYNROLL - Como começou tua paixão pela musica? Principalmente a bateria? 

JULIE - Eu não saberia informar o momento exato no qual passei a me interessar por música. Desde criança sempre fui voltada à música. O Rock e o Metal conheci na adolescência. Bateria passei a tocar a pouco tempo, cerca de 5 anos, concomitantemente com o início da Mortarium, e desde então meu amor e admiração pelo instrumento aumenta cada vez mais. 

HEAVYNROLL – Tuas principais influências? 

JULIE - Muitos não acreditam mas eu ouço de tudo (risos)! Acredito que minhas principais influências sejam bandas de Metal que vão desde Black Sabbath a Mythic, mas gosto de conhecer coisas novas, combinações improváveis. 

HEAVYNROLL – Qual o motivo que te levou a escolher a bateria? 

JULIE - Não sei dizer ao certo o que me levou a optar pela bateria, mas penso que seja o instrumento que mais combina com a minha personalidade. Me encontrei na bateria e amo o que faço. 

HEAVYNROLL – Qual técnica tu mais costuma usar tocando bateria? 

JULIE - Bom, sinceramente, eu primo pelo feeling e deixo muitas vezes a técnica em segundo plano. Nas nossas apresentações deixo fluir o sentimento, mas uso levadas de pedal duplo em certas partes da música, rim shot em outras, etc. 

HEAVYNROLL – Quais bateristas você destacaria hoje, independente do estilo ou quem? 

JULIE - No cenário nacional, destaco a Fernanda Terra, que inclusive vem ganhando seu espaço merecidamente, além da Ariadne Souza, que também é ótima e admiro bastante. Tem ainda a Letícia Santos, que conheci pessoalmente no workshop da Vera Figueiredo, uma garota de 13 anos que já toca batera super bem! Uma promessa! 

HEAVYNROLL - O que você ouve hoje em dia? 

JULIE - Como disse, ouço de tudo, ou quase (risos). Mas ultimamente tenho ouvido algumas bandas nacionais ao vivo como deCiframe, da nossa baixista Vivi Alves, Forkill, uma banda muito boa de Thrash Metal aqui do Rio, e Uncaved, Death Metal old school de primeira! 

HEAVYNROLL – Fala um pouco da banda Mortarium? 

JULIE - A Mortarium surgiu enquanto ideia em 2008 quando eu a Tainá Domingues e eu decidimos montar uma banda que fizesse um tipo de som que há anos não se fazia. Inicialmente, éramos 4 garotas, mas por motivos pessoais restaram apenas nós duas da formação original. 
Em 2010 lançamos nosso primeiro single, "Celebrate Eternity" e neste mesmo ano começaram as nossas primeiras apresentações ao vivo. Nenhuma de nós já teve banda anteriormente, tudo era novidade e aprendemos juntas, umas com as outras, a superar nossos próprios medos e acreditar em nós mesmas. 
Ano passado (2012) lançamos um novo single, "The Awakening of the spirit", no qual percebemos uma evolução natural desde que começamos. 
Foi muito bem recebido pelo público e crítica especializada, nos impulsionando a seguir em frente com ainda mais força. 
A nova formação em trio está super bem entrosada, isso faz toda a diferença pra Mortarium. Este ano teremos algumas novidades que serão anunciadas em breve! 

HEAVYNROLL – Atual formação da Mortarium? 

JULIE - Eu na batera, Vivi Alves, no vocal limpo e baixo, Tainá Domingues na guitarra e vocal gutural. 

HEAVYNROLL – Fala um pouco do single “The Awakening Of The Spirit”? A gravação? As musicas? 

JULIE - A gravação do “The Awakening Of The Spirit” foi bem tranquila, estávamos muito decididas sobre o que queríamos expressar e isso adiantou muito todo o processo. Lançamos o single com a faixa "Celebrate Eternity" gravada em 2010, como bônus. Ambas as músicas foram gravadas ainda com antigas formações, e com o lançamento do single pretendíamos fechar um ciclo da Mortarium que foi muito importante e significativo pra nós enquanto grupo. 
O retorno do público foi muito legal e ficamos felizes com os comentários que nos enviaram sobre o single. 

HEAVYNROLL – Esse single nos deixou com uma “água na boca”, uma vontade de mais Mortarium. Planos para gravação de um EP ou um álbum completo da banda? 

JULIE - Sim, sem dúvidas! Confesso que eu mesma estou super ansiosa! (risos). Como disse antes, este ano estamos de fato preparando material novo, mas que ainda não posso comentar. O que posso dizer é que será uma boa surpresa para quem nos acompanha.



HEAVYNROLL  – Como está a agenda da banda? Muitos shows? 

JULIE - Temos algumas apresentações agendadas para 2013 em São Paulo capital, São José dos Campos, além daqui do Rio, Duque de Caxias, e Piabetá. Pra mim, os shows são o nosso momento mais especial, é onde podemos nos aproximar das pessoas que apreciam nosso trabalho e conversar com elas, tirar fotos, fazer novas amizades. Fico feliz em poder tocar em diferentes locais, cidades diferentes, e sentir a vibração de cada lugar. 

HEAVYNROLL – O Rio de Janeiro, é conhecido mundialmente pelo carnaval, samba. Como é fazer metal no Rio? 

JULIE - (risos e mais risos) Muito boa pergunta! Em todo o lugar tem um grupo de pessoas que questionam o fato das coisas serem como são. Não vejo com estranhamento existirem boas bandas de Metal aqui no Rio. Aliás, ultimamente tenho conhecido grandes bandas, de nível altíssimo aqui no Rio. 
Penso que o Heavy Metal existe justamente para quebrar estereótipos, principalmente os que desde sempre são repassados como verdade, de geração a geração. 
No Rio tem Metal sim, e do bom! 

HEAVYNROLL – Como é a atual cena carioca? O publico? As casas de show? 

JULIE - Existe uma cena no Rio, produtores sérios e competentes, mas também temos problemas como qualquer outra cidade. 
Por aqui, temos visto com mais frequência shows com bandas de Thrash, Death ou Black Metal, o que acaba fomentando o surgimento de um público cativo a esses gêneros. Eventos mensais têm acontecido, com os mais variados gêneros do Metal, e isso é importante pra aquecer a cena e dar alguma alternativa de diversão para os bangers. Com relação ao gênero no qual me insiro enquanto banda (Doom Metal), os eventos ainda não são muito frequentes. Se virmos pelo lado positivo, isso é interessante pois acaba fazendo com que bandas de estilos diferentes toquem no mesmo evento. Nós mesmas só tocamos uma vez em um festival de Doom Metal, em São Paulo inclusive. Aqui no Rio só tocamos com Thrash, Death, Gothic, Metal Core, enfim... curtimos muito essa interação. 

HEAVYNROLL – De um tempo pra cá, conheci bandas como a Mortarium, Indiscipline, Scatha, todas do RJ e com mulheres, como tu explica essa grande presença de mulheres no metal carioca? 

JULIE - Não sei explicar, acho que é uma coincidência, algo natural. Boa parte das bandas femininas que tem surgido no Rio são de excelente qualidade, o que me deixa contente em saber que as bangers cariocas estão muito bem representadas! Já tocamos com Scatha em um festival aqui, as meninas são muito boas mesmo. Temos um show marcado com elas novamente, junto com Tevadom e Melyra. Será uma boa oportunidade de conferir o som das meninas e fazer novas amizades. 

HEAVYNROLL  O que faz a Julie quando está fora dos palcos ou estúdio? 

JULIE - (risos) A Julie Sousa fora dos palcos é a Juliane que trabalha fora, trabalha em casa, faz resenhas e entrevistas pra Hi Hat, vai a shows pela região, faz novas amizades, compõe, enfim, uma brasileira normal. 

HEAVYNROLL  Tu fazes parte da revista HI HAT GIRLS MAGAZINE, fala como é essa revista? Por sinal muito boa!! 

JULIE - Obrigada! Sim, tudo começou no ano passado quando eu fiz um anúncio convidando bateristas para realizarem a Hi Hat Girls comigo, e hoje já estamos na segunda edição da revista. 
A primeira edição contou comigo, Fernanda Terra, Bel Gabiatti, Simone Del Ponte e Michele Zingel. Para esta segunda edição, a Bya de Paula, Lucy Peart e a Carol Pasquali entraram para o time. E ainda estamos em crescimento! 
Foi um plano ousado, já que se trata da primeira revista brasileira sobre mulheres bateristas, online e totalmente gratuita. É trabalhoso, mas principalmente muito gratificante pra nós sabermos que através da revista muitas meninas têm procurado aprender bateria, e as que já tocam, se vêem representadas e compartilham dos mesmos sentimentos que as nossas entrevistadas. É inestimável o valor que isso tem. 
Ficamos felizes com os resultados e principalmente por saber que de alguma forma incentivamos que mais meninas se interessem pelo instrumento. 
Temos recebido apoio de algumas instituições, e aos interessados em apoiar a revista, o email de contato é contato@hihatgirls.com 

HEAVYNROLL – Como somos um blog gaúcho, o que tu conhece do rock feito aqui, na nossa terra? 

JULIE - Poxa, infelizmente não sei muita coisa, mas conheço a Crucifixon BR, da baterista Juliana Novo, e também a She Hoos Go, da baterista Simone Del Ponte, editora da Hi Hat Girls. E a banda Vetitum, da Paula Oliveira e Daniela Moreira

HEAVYNROLL – Um recado para os fãs e leitores do Heavynroll: 

JULIE - Quero agradecer imensamente a todos os que acompanham a Mortarium, e aos que nos conheceram agora também. É uma honra para mim estar no Heavynroll, na nossa primeira entrevista de 2013. Que este ano que segue seja positivo para todos nós, que tenhamos sucesso nos nossos projetos e metas. 
Amigos, lutem sempre pelo que acreditam e enfrentem os desafios que vierem. Não desistam dos seus sonhos. 
Mais uma vez, muito obrigada de coração! 

Um beijo 

Julie Sousa 

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